O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, chegou na tarde desta terça-feira à Colômbia trajando as cores da bandeira venezuelana, declarando seu "amor" ao país vizinho e prometendo a paz "custe o que custar". Chávez se reúne com o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, empossado no último sábado (7).
Santos vai passar o dia de seu aniversário de 59 anos dedicado a retomar as relações com a Venezuela. Segundo sua equipe de imprensa, a agenda do presidente para hoje está exclusivamente dedicada à reunião com Chávez, e as comemorações com a família ficarão para outro dia.
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Fernando Llano/AP
Chávez (à esq.) conversa com Santos, durante cerimônia de boas vindas na Quinta de San Pedro Alejandrino
Caracas rompeu relações diplomáticas com Bogotá no último dia 22, ao ser acusada perante o Conselho Permanente da OEA (Organização dos Estados Americanos) de permitir em seu território a presença de 87 acampamentos com 1.500 guerrilheiros das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e do Exército de Libertação Nacional (ELN).
Santos receberá Chávez na cidade de Santa Marta, histórico balneário caribenho onde morreu Simón Bolívar, herói da independência dos dois países. A reunião foi decidida domingo em Bogotá pelos chanceleres dos dois países, um dia depois da posse de Santos.
CHÁVEZ
Chávez chegou a Santa Marta às 13h15 locais (15h15 em Brasília), vestindo uma jaqueta com as cores da bandeira da Venezuela. Entregou três rosas vermelhas à chanceler colombiana, María Angela Holguín, que o recebeu aos pés da escada do avião, junto com o chanceler venezuelano, Nicolás Maduro. Depois, Chávez seguiu pelo tapete vermelho estendido no aeroporto Simón Bolivar e recebeu honras militares.
Chávez não se esqueceu do aniversário de Santos. "Boa tarde ao presidente Santos Calderón, acho que hoje está completando 37 anos", disse ele, não se sabe se por engano ou por ironia.
"Chegamos à terra sagrada para nós, Santa Marta; acho que foi a primeira e extraordinária decisão que ambos os presidentes tomamos, vir a Santa Marta para nos encontrarmos com Bolívar".
Após chamar Santa Marta de "terra santa", continuou: "Aqui começaremos, estou seguro porque viemos com a vontade e o coração à frente, com o amor à frente, para começar pacientemente a reconstruir o que foi desmoronado". Disse que ambos os presidentes contam "com bastantes recursos para reconstruir boas relações" e acrescentou: "Venho ratificar meu amor eterno, depois das vicissitudes, pela Colômbia. Queremos construir a paz entre nós, custe o que custar".
QUEBRA DE PROTOCOLO
A reunião atrasou pelo menos duas horas, devido ao atraso do voo de Chávez, procedente de Caracas, e da quebra de protocolos pelo venezuelano.
No caminho do aeroporto, ele pediu para a comitiva parar, desceu do carro e cumprimentou os moradores de uma bairro pobre de Santa Marta, La Lucho.
Chegando à Quinta de San Pedro Alejandrino, lugar histórico onde morreu Simón Bolívar e hoje é um museu, Chávez foi recebido por Santos e pelo secretário-geral da Unasul (União das Nações Sul-Americanas), Néstor Kirchner.
Passaram as tropas em revista e ouviram os hinos dos dois países antes de seguirem para o interior do Museu Bolivariano. Mais uma vez quebrando o protocolo, Chávez afastou-se de Santos para saudar as delegações diplomáticas e até os jornalistas.
Após a reunião entre os dois presidentes, devem se unir a eles os chanceleres dos dois países --o venezuelano Nicolás Maduro e a colombiana María Ángela Holguín-- e, depois, o secretário-geral da Unasul, que atua como mediador da crise diplomática.
SANTOS
Mais cedo, Santos tinha dito que "fará tudo que esteja a nosso alcance" para melhorar as relações com a Venezuela, ao chegar em Santa Marta para uma reunião com o colega venezuelano, Hugo Chávez.
Dizendo-se "muito otimista", Santos fez uma ressalva ao dizer que é melhor não criar "expectativas exageradas".
PAUTA
Mais cedo, a chanceler colombiana, María Ángela Holguín, afirmou que o objetivo do encontro é recompor as relações entre os dois países, mas incluirá outros temas cruciais.
Para a chanceler, o otimismo não significa que a decisão já esteja concretizada e ressaltou que as acusações sobre a presença de guerrilheiros em solo venezuelano será um dos temas a serem abordados na reunião, assim como o pagamento de cerca de US$ 800 milhões que a Venezuela deve a empresas colombianas há muitos anos.
A chanceler também não descartou que na pauta esteja o acordo firmado pelo governo Uribe com os Estados Unidos em outubro passado, através do qual militares norte-americanos utilizarão bases da nação sul-americana por até dez anos.
O pacto foi motivo de inúmeras discussões no subcontinente, já que mandatários da região, como por exemplo Chávez, temiam que a iniciativa ameaçasse a paz e soberania de seus países.
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